Drogas e Comportamentos Sexuais de Risco
associação entre o consumo de drogas e a atividade sexual é freqüentemente considerada um só comportamento. Para muitos indivíduos, o consumo de drogas naturalmente leva à prática sexual. Há ainda, a idéia de que o prazer do ato sexual é potencializado pela ação de substâncias químicas. Tais crenças parecem ser confirmadas por relatos históricos
| FIGURA 1: O consumo de drogas relacionados ao prazer sexual aparece nas ilustrações acima. Três egípcias [à esquerda] seguram mandrágoras, utilizadas com propósitos afrodisíacos. Numa celebração sensual [ao centro], Dionísio encontra-se recostado, coroado com papoulas e segurando um tridente cujo formato lembra os frutos da mesma planta. Por fim, uma indiana em posição deleitosa [à direita] é observada por outra, enquanto consome haxixe em seu narquilê. |
hindus utilizavam a maconha e a datura com os mesmos propósitos. O vinho e o ópio estiveram presentes nos cultos dionisíacos da Grécia Antiga (figura 1).
O consumo de drogas, inicialmente restrito a determinadas culturas, se popularizou e se generalizou por diversos países nos últimos trinta anos, principalmente entre as faixas etárias mais jovens2. Atingindo proporções dignas de um problema de saúde pública (principalmente o álcool e o tabaco), são responsáveis por boa parte da morbidade e da mortalidade passível de prevenção nos dias de hoje3.
O consumo de drogas, inicialmente restrito a determinadas culturas, se popularizou e se generalizou por diversos países nos últimos trinta anos, principalmente entre as faixas etárias mais jovens2. Atingindo proporções dignas de um problema de saúde pública (principalmente o álcool e o tabaco), são responsáveis por boa parte da morbidade e da mortalidade passível de prevenção nos dias de hoje3.
|
Acredita-se que a ação das drogas, capaz de causar desinibição e aumento do desejo sexual, deixe os indivíduos (em especial os adolescentes) mais propensos a práticas sexuais de risco. Alguns estudos mostram que apesar dos adolescentes iniciarem sua vida sexual antes do consumo de drogas6 e saberem claramente as formas de transmissão do HIV7, pouco alteraram seu comportamento sexual para fazer frente à infecção8-9. Além disso, adolescentes que iniciam o consumo de drogas em fases mais precoces10 ou concomitante à prática sexual6 mostram-se ainda mais propensos a práticas sexuais de risco. Esse panorama é mais acentuado em alguns países em desenvolvimento, onde o sexo de risco (sem proteção e com múltiplos parceiros) representa a maior causa de doenças infecto-contagiosas entre adolescentes11.
|
Alguns estudos com usuários de álcool12-13, cocaína14, maconha15-16, anfetaminas17 e ecstasy18-20 deixam claro a existência de uma relação entre a presença do consumo de drogas e o aumento da incidência das práticas sexuais de risco e da infecção pelo HIV. Tais estudos, por outro lado, investigaram populações (delinqüentes, estudantes...) ou situações (homossexuais que freqüentam raves) específicas capazes de possuírem outros fatores para o sexo de risco. Não deixam claro, assim, se há uma relação de causalidade, isto é, se o consumo de drogas por si só leva ao aumento do risco, ou se este é mais uma faceta da vida social destes indivíduos, marcada por diversos comportamentos de risco21-22.
É possível que traços particulares da personalidade, tais como o grau de preocupação individual acerca das normas e opiniões gerais da sociedade, possa também influenciar a quantidade de parceiros e o consumo de substâncias psicoativas22. O consumo de drogas de fato leva à desinibição, mas é importante considerar que anteriormente ao ato do consumo, já havia o desejo (e a intenção) do intercurso sexual. Reduzir a questão à primeira frase responsabiliza uma substância pela ocorrência de ato genuinamente humano.
Alguns estudos22-24 apontam para conecções prováveis entre o consumo de drogas e a ocorrência de encontros sexuais: [1] o álcool e as outras drogas promovem comportamentos de riscos por alterarem temporariamente as percepções de risco e beneficiarem imediatamente as ações de recompensa; [2] o consumo incidental de álcool e drogas, facilita interações que levam ao sexo, onde a intenção do encontro já existia previamente; [3] os encontros que potencialmente levam ao sexo acontecem em bares e casas noturnas. O álcool e as drogas, coincidentemente, estão disponíveis nesses locais. O álcool é parte estabelecida das interações sociais no Ocidente. Desse modo tais substâncias, por si só, não alteram um comportamento sexual latente; [4] muitos utilizam drogas deliberadamente para relaxar, tendo em vista a aproximação com alguém que pretendem estabelecer um relacionamento. [5] indivíduos propensos a comportamentos de risco podem, coincidentemente, utilizar álcool e outras drogas. Todas essas colocações parecem ser relevantes e devem ser consideradas em conjunto.
| |
FIGURA 5: A rave. A influência de fatores sociais, psicológicos e ambientais também expõe as pessoas a comportamentos de risco, inclusive ao sexo sem proteção.
FIGURA 6: Cada um possui seu estilo de relacionamento, fantasias e desejos sexuais. Para estabelece-los e realiza-los buscam determinados locais. As substâncias químicas podem estar inclusas em tais desejos e presentes nos locais escolhidos. Mas além delas, pode haver outros comportamentos igualmente ou ainda mais causadores de risco, tais como a crença de que não pegarão AIDS, que a camisinha atrapalha a relação sexual ou que sugeri-la afastará o parceiro ou parceira desejado. FONTE: Ilustração criada a partir da pintura "A Esfinge" (Fernand Khnopff ~ c. 1892
Nenhum comentário:
Postar um comentário