Sexo, drogas e funk nas ruas da zona sul de São José
Ruas de S. José são transformadas em bailes funks e reúnem até 500 pessoas, com drogas e até sexo explícito
Bruno CastilhoBom Dia São José
Sábado, meia-noite. A rua 11 do bairro Dom Pedro 2º, na zona sul de São José, está tranquila. Em poucos minutos, no entanto, ela se transformará num baile funk, com direito a uso de drogas, álcool para menores e sexo explícito.
Chegam dois carros tunados. Os motoristas estacionam em cima da calçada, abrem o porta-mala e, nas caixas de som, começa o batidão. Aos poucos o número de carros passa de dois para dez, 20. E, em poucos minutos, a festa ganha grandes proporções -- e só vai terminar com o sol nascendo.
O baile funk de rua, realizado também no Campo dos Alemães, reúne centenas de pessoas. Segundo um morador, o do último final de semana teve cerca 500 participantes, dançando de maneira erótica.
“Tem menina de 12 anos que vem aqui, com saias minúsculas, e que ficam se esfregando nos meninos”, disse a dona de casa N.B., de 40 anos.
Interdição. O baile funk de rua tem um ‘rodízio’ de pontos, para evitar a ação policial. Alguns dos pontos mais usados são as ruas 29 e 70 do Dom Pedro, além do Campo dos Alemães. A rotatividade funciona para despistar os policiais e as possíveis denúncias. “Marcam pela internet em um lugar e depois vão pra outro pra evitar denúncias”, disse T.N., 53 anos.
Os moradores relatam que as paredes das casas tremem com a força do som que sai das caixas instaladas nos carros.
“Quando começa a bagunça a gente se tranca dentro de casa e não sai por nada”, disse o morador M.J.N., 42 anos.
É tanta gente no baile funk que os moradores têm dificuldade para entrar ou sair de casa. “Fui em um casamento e, quando voltei, não consegui guardar o carro. Ninguém queria sair da frente”, afirmou A.D.S., 62 anos.
Drogas. O barulho e a bagunça não é o único problema, pois no local acontece também sexo e o consumo de bebidas alcoólicas e de drogas. “Quando termina, a calçada está cheia de caco de vidro, preservativo e outras coisasque a gente não sabe o que é”, disse N.M., 38 anos. A PM já foi chamada e acabou com a festa algumas vezes. Mas, de acordo com os moradores, os policiais alegam que, na maioria das vezes, não podem fazer nenhum tipo de autuação porque os jovens abaixam o volume do som.
PM se cala e prefeitura diz que não sabe de nada
O 46º BPM-I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), unidade responsável pelo policiamento na zona sul de São José dos Campos, foi procurado pelo BOM DIA na tarde de ontem para comentar o assunto mas não retornou os contatos, feitos por telefone e e-mail. Moradores da zona sul afirmaram que a PM é acionada com frequência para resolver o problema, que, no entanto, persiste.
A reportagem também procurou a secretaria de Defesa do Cidadão da prefeitura, que coordena as políticas públicas voltada para a segurança. A secretaria informou, por meio de nota, que nem a Guarda Civil nem o setor de fiscalização receberam denúncias sobre os bailes funk que acontecem nas ruas dos bairros Dom Pedro 1º, Dom Pedro 2º e Campo dos Alemães.
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